“Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece”: A Vida.

Meu caro Diego, estas são palavras de Jó. (Jó 3:25).

Se você ler o capítulo todo, entenderá que ele estava falando de ficar vivo.

Ficar vivo em meio a tanto sofrimento.

O sofrimento e a morte são tabus entre as pessoas

Ninguém fala sobre isto. É como se não fosse acontecer.

Parece que falar da morte é admitir falta de fé. O certo é que mais cedo ou mais tarde, alguém que você conhece sempre morre. Isto acontece mesmo com fiéis cristãos.

Li numa revista semanal de informação na semana passada uma reportagem sobre o novo código de ética médica.

O novo código dá mais autonomia à pacientes em estado terminal

Pois em muitos casos, a manutenção dos sinais vitais se torna apenas o prolongamento do processo de morte, dizia a reportagem.

Diante disto me lembrei do texto “Sobre a morte e o morrer” de Ruben Alves. Eis alguns trechos:

“Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama – de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final”.

“Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei…”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento”.

Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12/10/03. fls 3.

A morte atinge a todos, então me dei conta de que a ciência não sabe lidar com ela. A razão foge de explicá-la. Não queremos falar sobre isto.

Que profissional vão chamar quando tudo parece perdido. Quando o médico se retira; quando os advogados na são mais necessários; quando os economistas não podem mais fazer seus cálculos. Quando não restar mais ninguém.

É ai que entra o pastor. Pois além de estarmos familiarizados com o sofrimento, nós sabemos que a morte não é o fim.

Disso Jó também sabia! Ele disse: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra”. “Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros;de saudade me desfalece o coração dentro de mim. Jô 19:25 e 27.

Há momentos em que viver parece ser o mais difícil. Nestes momentos você vai precisar saber que pra Deus a morte não é o fim.  João 11:25. Nestes momentos você vai precisar saber que pedir pra morrer não ofende a Deus.

O desespero humano não ofende a Deus. Lembre-se disto quando visitar um doente nestas condições e for tentado a dizer que ele precisa de mais fé.

Ali você vai precisar saber que alguém que foi chamado por Deus de íntegro, reto e que se desviava do mal, um dia temeu continuar vivendo.